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Retirado do livro "A Viagem do Descobrimento" de
Eduardo Bueno - Editora Objetiva
Na
época, a região era habitada pelos índios goianases
chefiados pelo Cacique Cunhambebe. O núcleo
inicial formou-se no local conhecido atualmente como
Vila Velha, em frente a Ilha da Gipóia.
Angra era habitada pelos silvícolas, os
escravos e os exploradores deixados pelos
navegadores. As atividades locais eram voltadas
para a caça, a pesca e a pequena lavoura. Na
época, a Ilha Grande, chamada pelos índios de
Opauau-Guaçu, era habitada apenas por silvícolas não
havendo moradores brancos. Era um lugar rico em
madeiras com pontos apropriados para a construção de
embarcações.
No século
dezessete, com Angra dos Reis ainda Vila e sediada na
Vila Velha, eram constantes as incursões de navios
piratas pelo litoral angrense. Nesta época a
principal atividade no local era a pecuária, a pesca e
a agricultura de subsistência.
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Foram os filhos do capitão-mor da
Capitania de São Vicente que fizeram o local
prosperar. Várias fazendas se formaram na
região, com intensa utilização de mão de obra
indígena e escrava.
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Como a maioria dos povoados brasileiros,
Angra teve forte influência da Igreja Católica.
Nesta região é belíssimo constatar essa influência na
quantidade de conventos, igrejas, monumentos e
ermidas, construídas inclusive nas ilhas, como a
Ermida do Senhor do Bonfim, a Igreja de Santana e a
Igrejinha da Piedade, que misturadas com a natureza
intacta parecem sair diretamente do passado.
No século XVIII Angra fez parte da rota do
ouro, um caminho criado e amplamente utilizado pelos
exploradores do ouro das Minas Gerais. Toda
produção seguia para Portugal passando por diversas
cidades brasileiras e chegando ao mar através do
litoral sul-fluminense. Esta rota também foi
utilizada posteriormente para escoar a produção do
café do Vale do Paraíba, nesta época Angra investia na
produção de cana de açúcar. No final do século
XIX, com o declínio da produção do café e abolição da
escravatura, a rota entre Angra, Vale do Paraíba e
Minas perdeu a importância econômica, sendo hoje um
interessante passeio ecológico nos trechos mais
preservados.
A Estrada de Ferro encomendada por Pedro
II, que ligaria o Rio a São Paulo passando por
Angra não conseguiu vencer os inúmeros
obstáculos de montanhas, riachos e enseadas, e
não conseguiu chegar ao Porto de Angra dos Reis,
o que acabou isolando-a de vez do fervor
econômico do início do período
republicano.
No início de século XX, houve uma
retomada no crescimento econômico com a cultura
da banana, a construção da ferrovia que ligava
Angra à estrada ferroviária principal, que
proporcionou o incremento da atividade portuária,
principalmente grãos e no transporte de bobinas
de aço para a CSN, Companhia Siderúrgica
Nacional. |
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A construção do Estaleiro Verolme, na
década de 50 e a instalação de um terminal de
desembarque pela Petrobrás, impulsionaram a atividade
operaria na região e mantiveram a economia da cidade
por décadas. Nos anos 70 com o programa nuclear
brasileiro, Angra foi escolhida como berço das 8
usinas do projeto inicial. Foram construídas até
hoje apenas duas, Angra I e Angra II, que funcionam
regularmente sem acidentes, pelo menos até aqui.
Eram promessa de crescimento econômico, mas
movimentaram muito pouco a economia da cidade, com
vilas independentes e recursos e receitas
federais. Já foram grande polêmica, hoje operam sem
muitos protestos, mas com muitos olhos atentos.
Angra também abrigava o Instituto Penal Cândido
Mendes, construído na Ilha Grande (praia de Dois
Rios), que, boa parte por causa dessa aberração, ficou
deserta e poupada do crescimento da atividade
turística por muitos anos, até que foi extinto em
1992.
Com a inauguração da Estrada Rio-Santos, a
atividade turística virou grande potencial. As
novelas globais germinaram a Angra glamurosa com suas
residências maravilhosas dos VIP´s e colunáveis
nacionais e internacionais.
Na década de 90, com o fechamento do Estaleiro
holandês Verolme, a perda da importância do terminal
petrolífero devido ao pólo petroquímico de Itaguaí, o
crescimento descontrolado da atividade pesqueira,
Angra se voltou para o turismo e ainda hoje aprende a
domar a atividade.
Neste início de século tem visto a volta dos
investimentos na indústria pesada, com a reativação do
Estaleiro.